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Rendi-me

Depois de uma quantas semanas fora da ilha apercebo-me que tenho a minha açorianidade entranhada na pele. Termo criado por Vitorino Nemésio, que exprime a condição histórica, geográfica, social e humana do ser açoriano.


Quando do outro lado do planeta, tentar explicar o que são os Açores faz-me perceber a tamanha ambiguidade do ser açoriano. Que é uma terra abençoada e ao mesmo tempo amaldiçoada, com tantas léguas de mar e mais mar a toda a volta e tudo o que isso significa para os que aqui vivem. Que tem fogo, ar, água e terra, todas as horas de todos os dias.


Quanto maior a distância e mais longo o tempo que estou ausente mais sinto o poder da história dos meus ancestrais, o mar mais salgado, a bruma que cheira a pasto e a terra molhada que esconde a maldade dos homens.


Não me envolvo por aí além, assisto sem grande interesse, o mundanal do quotidiano


Regressei duas vezes, a primeira com a mala cheia de sonhos e de um querer fazer a segunda arrastada pelo pulsar surdo das minhas raízes e da natureza pujante que chama por mim. Nada a fazer, rendi-me. Eu sou daqui, sem dúvidas.


we are nature

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