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Destralhar



Sempre gostei deste belíssima atividade de remover, eliminar, reciclar objetos e coisas que possuo. Faz-me bem à alma, sinto-me mais leve e com um sentimento de limpeza de cada vez que reduzo o volume que as coisas ocupam no meu espaço.


Para mim o silêncio e a tranquilidade também são isto. Espaços mais leves, com menos ruído visual que nos permitem tornar o dia a dia mais simples e prazeroso.


Ultimamente incorporei uma forma mais consciente de o fazer. Não só porque continuo a destralhar com frequência, mas porque agora evito adquirir coisas sem antes perguntar-me algumas questões primeiro:

  • preciso mesmo disto?

  • quantas vezes vai ser útil e durante quanto tempo?

  • é ecologicamente responsável?

  • Existe uma alternativa?


De que serve desfazermo-nos das coisas e continuarmos por outro lado a arrecadar outras tantas, não é?


O resultado prático é eu dar por mim a evitar momentos de compra por impulso e a encontrar alternativas para satisfazer aquela aparente necessidade. O mais comum é passados uns dias já não achar assim tão importante, ou então acabar por pedir emprestado ou encontrar uma solução virtual que não implica trazer algo novo para dentro de casa.


Como pretendo viajar mais e ter a flexibilidade para poder trabalhar a partir de qualquer lugar, esta pratica torna-se agora ainda mais importante. Quando estamos fora apercebemo-nos que podemos viver com muito menos e que temos normalmente conosco tudo o que verdadeiramente precisamos.


As coisas que estão arrumadas nas gavetas são facilmente esquecidas e com o tempo revelam a sua inutilidade e desperdício, de recursos e de dinheiro. A prática de destralhar torna-nos consumidores mais responsáveis e relembra-nos amiúde a importância de o fazer.


Adoro cozinhar, mas também na cozinha fui adquirindo novos hábitos. Culturalmente estamos mais predispostos a armazenar alimentos e por isso gostamos de cozinhas grandes, com muitos armários e um frigorifico XXL. Hoje adoro uma cozinha pequena e funcional pois permite-me simplificar, e muito, a minha vida.


Ter apenas os utensílios mínimos essenciais é muito prático e ajuda a manter a organização e a poupar tempo. Em relação à comida também torna tudo mais simples. Ter em casa apenas o básico e comprar os alimentos do dia para preparar aquela refeição saudável . As compras sem duvida que prefiro fazer na mercearia mais próxima, a uma distância caminhável e sem ter que acartar um monte de sacos pesados.


Mas mesmo com a melhor das intenções o fato é que acabamos sempre por armazenar mais qualquer coisinha. Este início de ano decidi começar o mês a destralhar. Durante uma semana vou dedicar um tempinho a vasculhar gavetas e armários - uma divisão da casa por dia. O que encontrar que já não tenha utilidade vou deitar fora, doar ou vender.


Estas são as perguntas que vou usar de cada vez que tiver uma dúvida e o apego falar mais alto:

  • É útil?

  • há quanto tempo não é usado?

  • Quantas vezes foi usado e quantas vezes vai ser necessário no futuro?

  • Existe uma alternativa para a mesma função? (digitalizar, alugar, etc)

  • Quem pode beneficiar mais do que eu?


Não temos obviamente que nos desfazer de todas as coisas, quais monges no mosteiro. Alguns pertences são-nos valiosos, ou úteis e tornam os nossos sítios "nossos", e esses devem ser estimados. Manter a intensão para que assim seja é o caminho para uma vida mais simples e mais consciente.

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