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Tempo fora do tempo

A praticidade que aparentemente herdei da minha bisavó, desde muito cedo, ditou a minha falta de apetência para o ato de adquirir coisas, e por conseguinte também de dar coisas. Acredito que a vida se torna mais simples e leve quanto menores as variáveis que temos que gerir e incluo neste espectro o mundo de coisas que podemos possuir. Nunca fui grande fã desta altura do ano, precisamente porque durante muito tempo me senti forçada a adquirir coisas, só porque sim e porque é o que todos fazem.


Comecei a determinar a época do final do ano como um período sem grande significado para mim e o Natal como uma conveniência religiosa, e mais recentemente na história da humanidade, como uma conveniência económica.


Até que li mais sobre o significado antigo que esta altura do ano revela e os factos astronómicos que o acompanham.


O solstício de inverno, como sabemos, é o dia mais curto do ano no hemisfério norte, e é quando esta Terra onde habitamos se encontra mais longe do sol. Sempre aprendi que a partir desse dia o ciclo inverte-se e começamos lentamente o percurso de volta na direção contrária. Mas agora também sei que nos últimos dias do ano esta trajetória desacelera, marcando um compasso de espera entre o ano que termina e o novo que começa. É como se estivéssemos num tempo fora do tempo, e só então quando este período termina é que retomamos o caminho de volta à luz.


Saber isto mudou tudo. De repente toda esta época começou a fazer sentido. O inverno que pede recolhimento, a reflexão para um novo ciclo, a união e a partilha. Continuo sem vontade de adquirir coisas, mas agora aprecio o novo significado que atribuo e a experiência ganha todo um novo sentido.


Feliz tempo fora do tempo

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